terça-feira, 28 de maio de 2013

Bad Trip


Bad Trips podem ser reveladoras. As minhas ainda mais pois nunca são movidas a álcool ou drogas apenas a mergulhos profundos dentro de mim mesmo. Pois é, 40 anos. O que eu faço com essa informação quando faltam pouco mais de seis meses para eu fazer 41? O que eu digo para mim mesmo? Nada? Deixo como está? Fracassei? Estou no meio do caminho do sucesso? Ainda posso ser alguém? Sou alguém para alguém?

Examinar a si próprio, com lupa é tarefa que exige coragem. Se as pessoas são generosas conosco isso advém é claro em boa parte do afeto que sentem que faz com que qualquer analise seja embebida em parcialidade. Se são más, se nos fazem desfeitas com suas palavras o raciocínio acima também vale. Não gostam da gente e qualquer "b" vira o alfabeto todo contra nós. Normal.

Mas a analise que fazemos de nós mesmos... Essa sim é é inescapável pois nos conhecemos muito bem ou ao menos deveríamos. Eu, ao menos me conheço bem demais. Sei quem eu sou, qual minhas reais motivações sempre. Não da pra esconder nada de mim mesmo. Se as vezes pareço nobre e não fico feliz é porque me conheço bem ao ponto de saber que não existe pobreza na auto promoção. Ou na indiferença. Ou em qualquer outro sentimento que não seja bacana e eu, my friends, sou ótimo em não ter sentimentos bacanas.

Quando vejo meu reflexo no espelho não me preocupa se sou belo ou não, pois para isso já sei a resposta. Me preocupa o que meus olhos enxergam além disso. Minha alma vive exposta para mim. Sou um "Show de Trumam " de mim mesmo com a diferença de que não sou tão interessante quanto o próprio. Tenho consciência que se minha vida fosse um reality show as pessoas certamente perceberiam a pobreza deste formato televisivo.

Aos 40 anos mão me permito mais sonhar com lugares idílicos, cheios de lirismos e com pessoas que se vestem e se falam como aristocratas Ingleses. Estou muito mais paras "Dois Perdidos Numa Noite Suja" e como toda obra de Plínio Marcos, sou quase um marginal e creiam, não vejo isso como uma forma de romance. Não vejo graça e virtude em parecer ou pior, ser um marginal, e claro que não falo aqui de bandidos mas marginal no sentido de viver a margem, mas isso é o que melhor me define. Vivo a margem.

Minhas idéias, conceitos, minha forma de ver a vida é absolutamente marginal. Isso afasta as pessoas, pois se nossa sociedade hoje tenta ao máximo viver como em um comercial de margarina, eu preferiria viver como os personagens de "Six Feet Under". Se eu fosse um filme, não seria uma saga de aventura que desemboca na redenção necessária para que todos saiam felizes do cinema, minha vida na verdade é uma espécie de decepção como nos mais cortantes filmes de Almodovar, onde os personagens nunca fazem o que gostaríamos que eles fizessem e por este motivo sempre nos decepcionam profundamente até porque geram questionamento que não queremos levar conosco.

Não sou um Brad Pitt, da qual se aceita tudo, ou quase tudo em nome de uma beleza tão perturbadora que é capaz de perdoar falhas de caráter, sou Steve Buscemi, aquele que aceita papel de "bicha velha" em produções semi independentes apenas para provar que é um bom ator, e prova,  mas nunca, nunca é reconhecido, pois tal qual no cinema, onde qualidades interpretativas deveriam se sobressair a beleza, na vida também é o contrário que acontece, a beleza e seu fascínio triunfam sobre a capacidade e se mesmo assim existe um triunfo por parte dos desafortunados, ele sempre é acompanhado de desconfiança e expectativa de quando finalmente a falha que o destruíra chegará. E, quando ela chegar, mi compadre, não espere clemência, não espere sentimento positivo algum. O que terá é apenas um "eu já sabia".

Faz alguns dias que acordo com um aperto no peito. Pode ser um enfarte que se aproxima com minha idade, peso e falta de regras alimentares não duvidaria nada e o mundo seria higienizado  de qualquer maneira, (e quero deixar claro aqui, que quando sou auto depreciativo comigo mesmo é porque me conheço bem e não mereço nem mesmo a minha indulgência), mas é mais provável que seja apenas tristeza acumulada. Eu não sei ser feliz. Não aprendi isso durante a vida. A felicidade vem sim, em momentos ma eu nunca sei o que fazer com ela e sempre acabo a descartando e voltando para minhas divagações e inquietações que não interessam a ninguém mas insisto em jogar em um blog nem sei bem porque.

Essa dor é mitigada pela música, mas mesmo ela me lembra que não estou a sua altura. Não consegui ser alguém em seu mundo (o da música) e tudo o que acho sobre o tema no fundo não tem a menor importância e tem relevância (sim são palavras com significados diferentes) zero. Também me alivia escrever, mas só até o texto ficar pronto, porque embora algumas pessoas gostem eu odeio tudo que escrevo e nunca digo isso paras ter confete, apenas sei bem que não estou a altura dos grandes escritores e não me interessa ser o cara que escreve mais ou menos. Fico relendo tudo o que escrevo e sempre acho palavras melhores, colocações que poderiam ser feitas de forma mais elegante, mas sempre depois de ter terminado, sempre depois, sempre depois... No fundo é isso, o meu melhor, sempre fica pra depois. Minha capacidade de fazer o certo sempre se revela depois de fazer o errado, minha vida sempre é vivida de forma conflituosa, sempre tendo claro o que é bom e  sempre escolhendo só o que eu acho bom, só o que eu quero. Sou péssimo com escolhas. Logo só me ferro.

Tenho tido "Bad Trips" com mais frequência do que gostaria e me pergunto se não seria melhor te-las movido a algum aditivo químico pois te-las de "cara limpa" é frustrante demais.  Infelizmente não sou um Bukowski, minhas palavras não se conectam com a fluência necessária e meus pensamentos nunca ficam claros o suficiente. Minha "Bad Trip" está a mil, mas como sou uma pessoa com responsabilidades claras, não posso me dar ao luxo de "desfruta-la", então, saco de vomito em punho, sigo para a vida em mais um dia frio em Cotia, uma cidade absolutamente sem graça, assim como eu. Fomos feitos um para o outro.

É isso.

Ouvindo: "Hurt" J. Cash Version
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